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A casta temporã 16 Mai '19

A casta temporã

Nesta vida do vinho, uma das boas tarefas é ter de sentar à mesa a jantar e fazer novos amigos. A isto chamamos jantar vínico. Num destes últimos, fui cair ao Tapas & Vinhos, em Almancil, onde se trata o vinho com a importância e dedicação que ele merece.

Éramos 10 à mesa, rodeados por uma garrafeira cuidada e meticulosamente escolhida, ou não tivesse o Fred (o dono) acabado de percorrer 2.700Km numa semana à procura de novos néctares e novas gentes deste mundo da “pinga”.

Eu rapidamente percebi que dali não saía sem, no mínimo, um par de “botellas”. E assim foi, escolhi dois tintos, para variar um pouco, pois cada vez bebo menos tinto e mais branco ou espumante. Escolhi aquilo que me preenche e que ainda hoje talvez seja a minha região de tintos preferida no mundo. Desculpem, é espanhola, mas está mesmo ao nosso lado e a casta que lá é rainha é também referência em Portugal. Estou a falar-vos de Toro, onde quase só há tinta de toro, isto é, tinta roriz ou aragonez.

Parece incrível, mas é verdade: a roriz ali plantada é do outro mundo. É concentrada, potente, cheia de cor e, no meio disto tudo, é também elegante, à maneira de Toro. Cá em Portugal, ainda me parece mal entendida pelos viticultores. É uma casta que precisa de solos pobres e aqui qualquer produtor estará de acordo. Mas precisa também de clima fresco, idealmente estar plantada em altitude.

É uma casta temporã (temprana que derivou em tempranillo, como lhe chamam os nuestros hermanos), que amadurece antes das outras, só que não pode ser apressada pelos calores. Em lugares quentes, não amadurece, e ao invés passa, perdendo todo o seu encanto, equilíbrio e elegância.

Compare Aragonez do Baixo Alentejo com o de Portalegre e vai sentir o que escrevo. Ou faça como eu e experimente um tinto de Toro... e depois falamos.

Hélder Cunha
A minha vida é o vinho