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O Holismo do vinho 30 Mai '19

Na minha recente viagem pela América do Norte, tive o prazer de novamente conhecer pessoas excepcionais, cada uma na sua dimensão e em estágios da vida tão diferentes.

Em qualquer uma das cidades onde estive experimentei e partilhei vinhos, contei e ouvi histórias e, mais uma vez, senti que as pessoas à volta do mundo do vinho são, cada uma à sua maneira, especiais.

Uma das ideias que fica desta viagem é o conceito holístico que existe na produção de vinhos. Aristóteles resume bem o que é holismo quando afirmou que “O todo é maior do que a simples soma das suas partes”. Em enologia, eu afirmo que 1+1 não são 2.

Quero dizer com isto que, para o enólogo, é ideal poder contar com vários lotes, (partes) distintos, venham estes de vinhas diferentes, sejam estes de castas diferentes ou tenham estagiado em tipos de barricas diferentes. O pensamento do enólogo é holístico na adega. Sabemos que estas pequenas partes, quando integradas num só lote, resultam num vinho mais completo, mais complexo e – claro! - numa soma maior do que as simples partes que o originaram.

O velho mundo do vinho é o maior exemplo disto. Os antigos já plantavam as castas misturadas, na crença de que o resultado do somatório se tornasse mais proveitoso para eles. Aqui no velho mundo, o lote, a mistura de castas, é o tema central e sabemos que traz mais complexidade aos vinhos. No Novo Mundo, a casta por si só ainda é mais valorizada, ficando o holismo do vinho preso às características dos Terroir onde a mesma casta está plantada.

Na verdade, em ambos os mundos o holismo é real e o enólogo procura criar um “todo” sempre maior do que a soma das suas partes, como definido pelo criador da palavra holismo em 1926, Jan Smuts.

Hélder Cunha
A minha vida é o vinho