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Uma viagem à Síria 23 Mai '19

Não, não estive na Síria, estive sim na Beira Interior com os nossos amigos Finlandeses. A casta branca rainha desta região é a Síria. É esta a designação que lhe dão, por aquelas bandas. Já no Douro, dão-lhe o nome de Códega ou também Malvasia Grossa. E no Alentejo, dizem que é a Roupeiro. Também há quem lhe chame de Crato Branco. Falta só perceber se também será o Vermentino da Córsega. As folhas e os cachos assemelham-se, mas o vinho é difícil comparar.

Em Portugal, a casta está mais presente e plantada separada das outras castas em regiões do Interior. Já nas regiões com influência marítima, a casta está escondida entre outras castas nas vinhas mais velhas.

É uma casta tardia, precisa de tempo para amadurecer, não gosta de climas quentes e prefere as altitudes. Isso está bem explicado nos seus vinhos. Uma vez em terras quentes, faz vinhos muito aromáticos à nascença, mas que morrem passados poucos meses. Em altitude fica com uma acidez natural mais elevada, consegue manter o perfil aromático e não morre tão rápido no tempo. Faz vinhos, na beira Interior, com notas de frutos brancos - como marmelo e pera - e incrivelmente minerais.

O lado mineral - que quem escreveu em tempos num quadro a giz entende de que estou a falar - parece estar bastante ligado ao solo que ali na Beira Interior é maioritariamente granítico com filões de quartz e alguma argila.

Estes brancos são especiais. É verdade que não apaixonam toda a gente, mas quem percebe e entende o que um bom vinho branco é, rapidamente se deixa entranhar por esta casta muito antiga, que terá vindo na mão de algum romano que saiu de Itália e a trouxe até nós. Mas isso ninguém saberá...

Hélder Cunha
A minha vida é o vinho