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Vinho de Talha 28 Set '20

O vinho de talha em Portugal é uma longa tradição em terras alentejanas. Há 2.000 anos já se produzia vinho em grandes vasos de barro por essas bandas. A boa notícia é que o vinho de talha não se perdeu na história...

 

O que é Vinho de Talha?

O vinho de talha ou vinho de ânfora é produzido em grandes vasos de argila. Sim, nesses grandes potes que encontramos espalhados um pouco por todo o País. Se pensarmos no universo português, é realmente do Alentejo que vem essa tradição, mas existem outros países na Europa onde este tipo de vinho tem tanta ou mais história. É o caso da Geórgia, onde as talhas ganham o nome de Quevri, Espanha, onde lhes chamam Tinaja ou mesmo Itália, onde se podem chamar de anfore, orci ou giare. 

 

Origem do Vinho de Talha

A talha é o mais antigo depósito de estágio e de transporte conhecido na história do homem. Historicamente, estes vasos de argila seriam utilizados em todos os estágios de produção de vinho, seja na fermentação alcoólica, malolática, durante o estágio do vinho de ânfora e até mesmo para o seu transporte.

A nível nacional, sabemos que no Alentejo há registo da produção de vinho de talha há 2.000 anos, mas se abrirmos fronteiras e recuarmos até às reais origens deste tipo de vinho, sabe-se que os primeiros vinhos de ânfora terão sido produzidos há 6.000 no Cáucaso, atualmente território da Geórgia, e que se acredita ser o local onde este tipo de produção terá começado. 

 

Processo do Vinho de Talha

O processo do vinho de talha é simples, mas requer um saber que felizmente tem passado de geração em geração. As talhas são normalmente impermeabilizadas com pez, numa operação que requer mestria e se chama pesgagem. A pez é uma resina idealmente inerte que se coloca nas paredes argilosas do interior da talha. Depois as uvas são, normalmente, desengaçadas e colocadas dentro da talha. A fermentação inicia-se espontaneamente.

Os vinhos de talha são na sua essência vinhos “naturais” ou de intervenção mínima.

Durante a fermentação alcoólica, as uvas são recalcadas duas vezes ao dia com a ajuda de um rodo. Terminada esta fermentação, segue-se a malolática e o fecho da boca das talhas de forma a proteger o vinho de oxidações. Os antigos usavam azeite de forma a bloquear a entrada de oxigénio do ar para o vinho, mas esta é hoje uma prática incomum.

No fecho das talhas, há quem use cera de abelha de forma a impermeabilizar a zona de vedação na boca da talha. É por alturas do S. Martinho que se prova o vinho novo e, para isso, colocam-se torneiras um pouco acima da zona da base da talha e abrem-se.

 

 

Vinho de Talha português

O vinho de talha português é um património que está a ganhar nova vida com produtores e enólogos a recriarem os tradicionais métodos alentejanos e a experimentarem novas técnicas aplicadas nestes vasos de barro gigantes. O vinho de ânfora estranha-se, mas rapidamente se entranha.

Além de serem vinhos plenos de carácter, são vinhos que emanam história e estórias. Vale a pena conhecê-los, não só pelo sabor, mas pela experiência.

Se não conseguir ir até ao Alentejo, aproveite alguns dos vinhos de ânfora engarrafados que já se encontram à venda.

 

Onde comprar Vinho de Talha?

A melhor forma de comprar vinho de talha é ir até às pequenas aldeias alentejanas na zona da Vidigueira. Eu sugiro na Vila Alva a adega do mestre Daniel, onde produzimos o nosso vinho de ânfora. Ou então compre online, no nosso website ou na nossa Porta da Adega, no Estoril.

 


Hélder Cunha
A minha vida é o vinho