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Vinho Verde 21 Set '22

Vinho verde é talvez a única região vitícola no mundo cujo próprio nome é “vinho”. Imagina qual a razão? A meu ver, a explicação tem a ver com o estilo leve e fresco dos vinhos desta região.

Estilo esse conseguido pela viticultura tradicional e pela vinificação caseira características da região, métodos que sofreram uma clara evolução até chegarem aos dias de hoje.  

Uma das histórias que nos contam, e que vai ler em vários sítios, é que a região ganha o seu nome “verde”, das verdejantes paisagens, que se mantêm mesmo no pico do Verão, e que inspiraram vários escritores portugueses e levaram o Minho a ser conhecido como os “Jardins de Portugal”. 

Para mim - e quem produz ali, concordará! - a região tem nome de “vinho verde” porque este estilo leve, de baixo grau alcoólico, de frescura vibrante transmitida pela elevada acidez natural, terá tido origem na policultura típica da região.

No caso da vinha cultivada em “enforcado” nas bordaduras das propriedades, dificilmente resultavam desta vinha uvas em plena maturação, devido a uma viticultura rústica, mas também ao clima húmido, consequência da orografia, que mais parece um anfiteatro feito de montanhas em que o palco é o oceano Atlântico.

O resultado da vinificação de tais uvas pouco maduras era, precisamente, vinho verde.

Hoje a viticultura está modernizada. Os vinhos da região são produzidos a partir de uvas amadurecidas e o resultado está à vista. A região, a par com a do vinho do Porto, são as que maior fama têm lá fora.

 

O que é o vinho verde?

Vinho verde é vinho feito a partir de uvas cultivadas na dentro dos limites da região. Ou seja, é vinho produzido com as castas aprovadas na região e dentro dos limites e regras que a região impõe. Por essa razão, estes vinhos podem adquirir a certificação DOC - Denominação de Origem Controlada. 

A DOC produz vinho verde branco, vinho verde tinto, vinho verde rosé, vinho verde espumante e até aguardentes, em que a grande diferença é o estilo que a região imprime nos vinhos, essa leveza e frescura que bem conhecemos.

O que cria confusão é a palavra “vinho” na denominação da região. Estou certo de que, um dia, deixarão cair o nome “vinho” e passará a chamar-se apenas região dos Verdes, ou algo do género.

 

 

Características do vinho verde

As características da região são muitas, mas aquela que podemos generalizar é a acidez crocante que transmite um carácter inconfundível a todos os vinhos. 

As restantes características são incutidas pelos diferentes terroir de cada uma das suas sub-regiões e, claro, pelas castas típicas da região. No vinho verde branco, podemos destacar a Loureiro, a Alvarinho, a Avesso, a Azal e a Arinto. No vinho verde rosé, tem-se destacado a espadeiro. E no vinho verde tinto é, sem dúvida, a vinhão que marca os tintos da região. 

 

Tipos de vinhos verdes

Os tipos de vinhos verdes podem ser, como em qualquer outra região, branco, rosé e tinto, sejam eles vinhos tranquilos ou espumantes. 

Dentro de cada tipo de vinho, são as sub-regiões, juntamente com as castas que cada produtor seleciona, que mais marcam cada um dos estilos.

 

Harmonização do vinho verde

Tipicamente harmonizamos vinho verde branco com aperitivos ou pratos leves, como mariscos ou peixes com pouca gordura. 

O vinho verde rosé que ganhou fama agora mais recentemente, acompanha na perfeição também os mariscos, as saladas e pratos cozinhados com tomate.

Já no vinho verde tinto, a história é outra. Com este tipo de vinho harmonizam na perfeição os pratos típicos da região do Minho.

Menciono dois da minha preferência, o arroz de lampreia e as papas de sarrabulho, pratos que exigem uma acidez e uma estrutura que o vinho verde tinto entrega facilmente. 

Agora que já sabe que vinho verde é uma região, e não apenas um estilo de vinho, fica o desafio de não voltar a pedir um vinho maduro na próxima vez que visitar um restaurante, pois os vinhos desta região são também resultado de uvas maduras. De outra forma, não seriam vinhos. 

Hélder Cunha

Hélder Cunha

A minha vida é o vinho

 

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